Relembrando uma grande seleção

Em pé da esquerda para direita: Dosu, Kanu, Lawal, West, Amokachi e Uche.
Agachados: Babangida, Amunike, Okocha, Babayaro e Oparaku.

Há alguns dias me lembrei da dolorosa derrota, no ano de 1996, da seleção olímpica brasileira para a Nigéria, nas semifinais do torneio, e comecei a me perguntar onde se encontram os jogadores campeões, que encantaram o mundo com sua forma ofensiva de jogar? Ainda estão jogando? Se sim, onde? Quem vingou e quem ficou no anonimato? Para isso, fiz uma breve pesquisa da vida de cada um deles e aqui vai uma pequena síntese:

Daniel Owefin Amokachi - Hoje está com 40 anos, já aposentado há oito. Amokachi jogou 42 partidas pela Seleção Nigeriana de Futebol, e fez 14 gols. Era um dos principais jogadores do elenco campeão olímpico. Se destacava pela grande velocidade, força física e faro de gol. Na Europa, teve uma breve passagem pelo Everton da Inglaterra e notáveis passagens pelo Brugge e Besiktas.

Emmanuel Amunike - Atualmente é técnico, porém sem clube. Está com 42 anos. Chegou como grande craque do time, pois já havia feito grande Copa em 1994, nos EUA. Desde garoto sempre marcou muitos gols, o que chamou a atenção dos olheiros egípcios, que o levaram ao Zamalek. Na Europa, jogou primeiramente pelo Sporting de Portugal, onde se destacou muito e foi vendido ao Barcelona. Começou bem no time catalão, mas seguidas lesões foram afastando-o da titularidade. Por causa destas lesões não pode participar da Copa de 1998 na França. No velho continente, ainda jogou no Albacete, também da Espanha. Encerrou sua carreira na Jordânia em 2004. Em 27 jogos com a camisa de seu país, fez 9 gols.

Tijani Babangida - Assim como Amunike,seu cunhado, se aposentou em 2004, no futebol Chinês. Era conhecido por ser um dos jogadores mais rápidos já vistos. Se destacou no futebol holandês, mais precisamente no Ajax, mas nunca se firmou nos clubes que atuou, vivendo muito de boas e más fases. Quem jogou muito Winning Eleven (Game que originou o PES) deve conhecê-lo, pois era um dos melhores custo-benefício do game. Com a camisa dos Águias possui 36 jogos e 5 gols marcados.

Celestine Hyacinth Babayaro - Quando dizem que o currículo bom do profissional é aquele que não possui rotatividade de empresas e sim muitos "anos de casa", esse conceito cabe bem para esse grande lateral. Foram tês temporadas no Anderlect, oito no Chelsea e quatro no Newcastle, na Europa. Foi um dos melhores jogadores da história da seleção, assim como de sua posição nos clubes onde passou. Encerrou a carreira em 2008, jogando com Beckham por uma temporada no LA Galaxy. Seis meses após se aposentar, declarou falência. Babayaro possuía como principais características a força física e a velocidade, além de executar subidas ao ataque, com cruzamentos precisos na área adversária. Foram 35 jogos e 2 gols com a camisa de seu país.

Emmanuel Hyacinth Babayaro - Irmão de Celestine, era goleiro e teve uma carreira muito curta, pois foi esperto o suficiente para saber que não iria muito longe como goleiro. Resolveu dedicar-se ao cinema em 1998. Para os padrões de altura da posição, Emmanuel era muito baixo, possuindo apenas 1,77 m. Atuou em apenas duas equipes: Plateau United e Besiktas.

Teslim Babatunde Fatusi - Este foi pouco utilizado na Olimpíada, e também pouco conhecido. O time de maior expressão em que jogou foi Servette da Suiça. Foi um "andarilho do futebol", jogando em nove países. Aposentou-se em 2008, com quatro jogos pela seleção e um gol.

Victor Nosa Ikpeba - Mais um grande atacante de futebol nigeriano. Foi um jogador de muita velocidade e boa finalização. Ídolo na Bélgica, pelo RFC Liège e na França pelo Monaco, onde atuou seis anos e fez muitos gols. No Borussia Dortmund também brilhou. Se aposentou em 2007 após três anos no Al-Sadd do Qatar. Pela "verdinha" não chegou a ter muito sucesso: em 30 jogos marcou três gols.

Joseph Dosu - Não foi um grande goleiro, mas não também não deixava a desejar. Por conta de um grave acidente de trânsito, que quase o deixou paralítico, teve uma carreira de apenas nove anos. Atuou no Julius Berger (Time mais famoso da Nigéria) e após os jogos olímpicos foi contratado pelo Reggina da Itália, onde não teve sucesso. Jogou só três jogos pela seleção.

Nwankwo Kanu - O carrasco do Brasil! Kanu foi o jogador nigeriano que mais faturou. Esbanjava categoria nas finalizações. Era diferenciado por ter quase 2 metros de altura e mesmo assim saber usar muito bem os pés. Ganhou por duas vezes o título de melhor jogador da África, e foi idolatrado por onde passou. Tudo começou no clube Heartland, da Nigéria, onde com um sucesso imediato se transferiu para o Ajax, de Seedorf e Davids, que fora multicampeão holandês e vencedor da Champions League. Depois da grande passagem pelo time holandês, Kanu foi se aventurar na Inter de Milão, onde jogou com Roberto Carlos. Depois de 3 anos na Itália, Nwankwo mudou-se para a Inglaterra, país onde viveu até final de sua carreira. Primeiramente foram 6 anos no Arsenal, onde fez parte do titulo invicto do clube em 2006, e grande parceria com Henry e Bergkamp. Também jogou pelo West Bronwich e Portsmouth. Nem tudo foi fácil na vida do "grandalhão", em 1996, após o sucesso nos jogos olímpicos, exames médicos de pré-temporada revelaram uma grave insuficiência cardíaca já antiga mas nunca antes detectada. Kanu não se abateu e em Novembro do mesmo ano, nos EUA, foi sujeito a uma delicada operação no coração para substituir as válvulas afetadas. Poucos acreditavam no seu retorno ao futebol, mas meio ano depois, os médicos anunciavam que Kanu estava curado. Anos depois o atacante criou uma organização que visa ajudar jovens africanos que sofrem de defeitos no coração, chamada de Kanu Heart Foundation. Atuou 87 vezes pela seleção e marcou 20 gols. Esse vencedor, em todos os sentidos, aposentou-se temporada passada, aos 37 anos.

Garba Lawal - Este foi outro "andarilho" do futebol. Atuou em 8 países (Nigéria, Tunísia, Holanda, Bulgária, Dinamarca, Portugal, Grécia e China), mas foi no futebol Holandês, jogando pelo Roda por 6 temporadas, onde mais se destacou. Canhoto, boa técnica, força física e visão de jogo eram suas características. Aposentou-se em 2010, atuando pelo Lobi Stars, da Nigéria. Após encerrar a carreira de jogador, já iniciou a de auxiliar técnico, pelo mesmo time. Ficou até 2012 no Lobi Stars, agora encontra-se sem clube. Ao todo foram 53 jogos pela seleção principal, com cinco gols marcados.

Abiodun Olugbemiga Obafemi - Atuou apenas nove anos como jogador de futebol, ficou pouco conhecido no esporte. Antes dos jogos olímpicos, transferiu-se para o Fortuna Köln, da Alemanha. Jogou por sete anos na segunda divisão alemã, além de um ano em seu país e um ano no Toulouse da França. Em 2000 parou de jogar.

Kingsley Obiekwu - Zagueirão de muita força física, e pouca técnica. Não é muito conhecido, pois jogou maior parte de sua carreira em times nigerianos. Foram nada mais que 3 anos de Europa, no holandês Go Ahead Eagles. Encerrou sua carreira em 2006. Foi técnico do USS Kraké, de Benin. Disputou 5 partidas pela seleção.

Uche Okechukwu -  Um dos melhores zagueiros africanos da história. Atuou por 9 anos no Fenerbahçe, da Turquia. Idolatrado no clube, onde foi "rebatizado" com o nome de Deniz Uygar. Tinha 31 anos no titulo olímpico, sendo um dos 3 jogadores com idade superior aos 23 anos possíveis na convocação do elenco. Aos 41 anos, jogando pelo Ocean Boys, encerrou a carreira. Com a Seleção Nigeriana, Uche debutou em 1990, e disputou 71 jogos, marcando um gol.

Augustine Azuka Okocha - Conhecido por todos como Jay-Jay Okocha, foi o melhor jogador da história da Nigéria. Atleta de extrema técnica, habilidade, categoria e genialidade. É considerado o 5º melhor jogador do continente, ficando atrás apenas de: Weah, Drogba, Roger Milla e Eto'o. Jay-Jay brilhou por onde passou, sempre esbanjando de seus dribles humilhantes, passes geniais e golaços. Começou a carreira em 1990, no Enugu Rangers. Em 1993 se mudaria para a Alemanha, defendendo Borussia Neunkirchen e Eintracht Frankfurt. Contribuiu muito para a evolução de Ronaldinho, quando jogaram juntos no PSG. Foi ídolo também no Bolton da Inglaterra. Em 2008 anunciou a aposentadoria após uma temporada com a camisa do Hull City. Trabalhou como gerente de bares na Inglaterra, até que em 2012 anunciou que jogaria pelo Durgapur, da Índia. Em 2013 com 40 anos, está definitivamente aposentado do futebol. Jogou 73 vezes e fez 14 gols pela seleção.

Sunday Ogorchukwu Oliseh - Grande volante do futebol africano, Oliseh se destacou pela seu chute potente e a forte marcação que exercia. Na copa de 1998, fez um golaço contra a Espanha, onde a velocidade de seu chute alcançou 116 km/h. Se destacou primeiramente no RFC Liège, da Bélgica, onde atuou por 4 anos. Depois disso jogou no Reggiana, Colônia, Ajax e Juventus, até chegar ao Borussia Dortmund, onde se tornou ídolo e conquistou o campeonato alemão. Depois de inúmeras lesões, o Borussia ainda acreditando em seu futebol, resolveu emprestá-lo para o Bochum por duas temporadas. Voltando a Dortmund, Oliseh já não era mais o mesmo grande jogador dos velhos tempos, e foi vendido ao Genk. Não teve muito sucesso no time belga, anunciando então sua aposentadoria. Um ano depois recebeu o convite do Baelen, da terceira divisão belga, onde atuou mais uma temporada. Se aventurou como técnico do RCS Verviers no ano seguinte, mas não vingou. Marcou 4 gols em 63 jogos com a camisa dos Águias.

Mobi Patrick Oparaku - Era tido como uma grande revelação, mas não teve tanto sucesso como o esperado. Zagueiro de baixa estatura, mas muita força. Jogou apenas 8 vezes pela seleção nigeriana. No velho continente jogou apenas na Bélgica. Foram 4 anos no KV Turnhout, 1 ano no Cappellen e 1 no Anderlect. Aposentou-se em 2010.

Wilson Oruma - Mais um bom meia nigeriano. Apresentava um futebol de considerável técnica e bons passes. Nunca foi o astro do time, mas sempre acrescentou. Jogou por 12 anos na França, destaque para os 3 bons anos de Sochaux e Marseille. Sua última temporada foi em 2009, pelo Kavala da Grécia. Na seleção marcou 3 gols em 19 jogos.

Taribo West - Assim como Uche, foi um dos melhores zagueiros do futebol africano. Aliava muito bem força, velocidade e raça. Começou no Julius Berger, onde jogou duas temporadas e chamou a atenção do Auxerre, antes das Olimpíadas. Após 4 temporadas, a Inter de Milão resolveu contratá-lo. Nunca se firmou como titular, tendo bons e maus momentos pelo clube. Depois de 2 temporadas, resolveu mudar de clube, mas não de cidade, dirigindo-se para o Milan. Não foi bem no clube Rossonero, e foi emprestado ao Derby da Inglaterra. Aí começou a rodar por clubes de menor expressão, como: Kaiserslautern, Partizan, Al-Arabi e Plymouth, até voltar ao seu clube de coração, o Julius Berger. Disputou 41 jogos pelas Super Águias. Fechou sua carreira em 2008 no Paykan, do Irã. Ficou famoso pelos penteados extravagantes que exibia atuando. Manchou seu currículo primeiramente por ter agredido sua conjuge verbal e físicamente, em 2002, e no começo deste ano, onde segundo um ex presidente do Partizan, Zarko Zecevic, ele seria "gato": "Nós o contratamos quando ele tinha 28 anos. Depois nós descobrimos que na verdade a sua idade era de 40 anos, mas ele ainda estava jogando bem e não desistimos de tê-lo em nosso time", declarou o cartola. Durante a competição olímpica, West teria 34 anos e não 22 como afirmava. Porém recentemente, questionado sobre o assunto, Taribo desmentiu o cartola sérvio, negando ter adulterado sua idade. Em quem acreditaremos agora? Na África já foram confirmados inúmeros casos de "gato" no futebol, o que me faz acreditar mais na versão de Zarko Zecevic, do que na de West.

Melhores momento da vitória de 4x3 da equipe africana, diante de uma das nossas melhores gerações

Blog C. Fernando

Administrador; 26 anos; Católico; Apaixonado por Eduarda Guidarini; Fanático por futebol; Futebol bonito não é melhor que o eficiente; Penalti não é loteria, mas sim treinamento e competência; Torcedor do Avaí, Real Madrid e Fiorentina.

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